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“A HUMANIDADE NÃO ENCONTRARÁ A PAZ
ENQUANTO NÃO SE VOLTAR, COM CONFIANÇA,
PARA A MINHA MISERICÓRDIA”
(Diário, 300)



Para transmitir a mensagem da Misericórdia Divina dirigida a todo o mundo, Deus Misericordioso escolheu e formou dois Apóstolos do amor de Deus: Santa Irmã Faustina Kowalska e o Beato Padre Michal Sopocko. Em contrapartida obtiveram a santidade e a memória eterna. O objetivo desta publicação é apresentar de forma breve e clara o testemunho das suas vidas e atitudes de confiança ilimitada em Deus na realização da sua missão.
Confiamos que os excertos selecionados do Diário de Irmã Faustina (os números entre parêntesis indicam os parágrafos do Diário de Santa Faustina Kowalska) e os excertos de publicações do Padre Dr. Sopocko mostrarão ao leitor a beleza e riqueza da Misericórdia cristã indicando, ao mesmo tempo, o caminho para resolver situações difíceis na vida.



VATICANO, 30 de abril de 2000, Praça de São Pedro. A cerimónia de canonização a Irmã Faustina Kowalska.
Fot. REUTERS, Photographer VINCENZO PINTO


Trechos da homilia pronunciada por João Paulo II no dia da canonização da Irmã Faustina:

“(...) A canonização da irmã Faustina tem uma eloquência particular: mediante este ato quero hoje transmitir esta mensagem ao novo milênio. Transmito-a a todos os homens para que aprendam a conhecer sempre melhor o verdadeiro rosto de Deus e o genuíno rosto dos irmãos.
 “(...) Faustina, dom de Deus ao nosso tempo, dádiva da terra da Polônia à Igreja inteira, obtém-nos a graça de perceber a profundidade da Divina misericórdia, (...) A tua mensagem de luz e de esperança se difunda no mundo inteiro, leve à conversão os pecadores, amenize as rivalidades e os ódios, abra os homens e as nações à prática da fraternidade".

Fonte: http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/homilies/2000/documents/hf_jp-ii_hom_20000430_faustina.html

 

MENSAGEM DA DIVINA MISERICÓRDIA

A Santa Faustina, uma religiosa polonesa da Congregação de Nossa Senhora da Misericórdia,
que tinha uma confiança ilimitada em Deus, Jesus Cristo confiou uma grande missão
− a Mensagem da Misericórdia dirigida ao mundo inteiro. A sua missão consistia essencialmente em transmitir novas orações e formas de devoção à Divina misericórdia, que devem lembrar a esquecida verdade do amor misericordioso de Deus para com toda criatura humana. Na mensagem transmitida, Deus misericordioso revela-se em Jesus Cristo Salvador como Pai de amor e de misericórdia, especialmente diante dos infelizes, dos que erram e dos pecadores.


Santa Irmã Maria Faustina Kowalska

 “És a secretária da Minha misericórdia.
Eu te escolhi para essa função nesta e na outra vida” (Diário, 1605).

“A tua tarefa é escrever tudo que te dou a conhecer sobre
a Minha misericórdia para o proveito das almas,
que lendo estes escritos experimentarão consolo na alma
e terão coragem de se aproximar de Mim” (Diário, 1693).


 “Hoje estou enviando-te a toda a humanidade com a Minha misericórdia. Não quero castigar a sofrida humanidade, mas desejo curá-la estreitando-a ao Meu misericordioso Coração (...) Antes do dia da justiça estou enviando o dia da misericórdia” (Diário, 1588).

O Salvador deseja que no mundo todo seja conhecida a misericórdia Divina, que toda pessoa que com confiança a Ele recorrer descubra a beleza e a riqueza da misericórdia cristã. A isso servem as novas formas do culto da Divina misericórdia e as promessas com elas relacionadas. 

“As graças da Minha misericórdia coIhem-se com o único vaso, que é a confiança.
Quanto mais a alma confiar, tanto mais receberá” (Diário, 1578).



A essência da devoção à Divina misericórdia é uma postura de confiança diante de Deus, o desejo de cumprir a Sua vontade e a prática da misericórdia para com o próximo, levando-lhe o amor lilimitado e a bondade de Deus. Essa é também a condição para o cumprimento das promessas que Jesus Cristo relacionou com as novas formas do culto da Divina misericórdia.

“Abri o Meu Coração como fonte viva de misericórdia; que dela tirem vida todas as almas, que se aproximem desse mar de misericórdia com grande confiança. Os pecadores alcançarão justificação, e os justos serão confirmados no bem”
(Diário, 1520).

“A conversão e a perseverança são uma graça da Minha misericórdia” (Diário, 1577).



NOVAS FORMAS DE PRESTAR HONRA À DIVINA MISERICÓRDIA


A IMAGEM DE JESUS MISERICORDIOSO

No dia 22 de fevereiro de 1931, Jesus Cristo apareceu a irmã Faustina numa cela do convento
de Plock (Polônia) e lhe recomendou que pintasse uma imagem, apresentando-lhe o modelo
na visão.

“Pinta uma imagem de acordo como modelo que estás vendo, com a inscrição: Jesus, eu confio em Vós. Desejo que esta imagem seja venerada, primeiramente, na vossa capela e, depois, no mundo inteiro. Prometo que a alma que venerar esta imagem não perecerá. Prometo também, já aqui na Terra, a vitória sobre os inimigos e, especialmente, na hora da morte. (...) Quero que essa imagem, que pintarás com o pincel, seja benta solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa, e esse domingo deve ser a Festa da Misericórdia. Desejo que os sacerdotes anunciem essa Minha grande misericórdia para com as almas pecadoras” (Diário, 47-49).

 “Ofereço aos homens um vaso, com o qual devem vir buscar graças na fonte da misericórdia. Esse vaso é a imagem com a inscrição: Jesus, eu confio em Vós”
(Diário, 327).

“Por meio dessa imagem concederei muitas graças às almas; que toda alma tenha, por isso, acesso a ela” (Diário, 570).



A FESTA DA MISERICÓRDIA

 “Desejo que a Festa da Misericórdia seja refúgio e abrigo para todas as almas, especialmente para os pecadores. (...). Derramo todo um mar de graças sobre as almas que se aproximam da fonte da Minha misericórdia. A alma que se confessar e comungar alcançará o perdão das culpas e das penas. Nesse dia, estão abertas todas as comportas divinas, pelas quais fluem as graças. Que nenhuma alma tenha medo de se aproximar de Mim, ainda que seus pecados sejam como o escarlate”
(Diário, 699).

“Ainda que a alma esteja em decomposição como um cadáver e ainda que humanamente já não haja possibilidade de restauração, e tudo já esteja perdido, Deus não vê as coisas dessa maneira. O milagre da misericórdia de Deus fará ressurgir aquela alma para uma vida plena” (Diário, 1448).



O TERÇO DA DIVINA MISERICÓRDIA

Jesus Cristo ditou a irmã Faustina o Terço da Divina Misericórdia em Vilna (Lituânia), nos dias 13-14 de setembro de 1935, como oração pedindo a graça da Misericórdia Divina para os pecadores.

“Por ele [o Terço da Divina Misericórdia] conseguirás tudo, se o que pedires estiver de acordo com a Minha vontade” (Diário, 1731).

“Recita, sem cessar, este Terço que te ensinei. Todo aquele que o recitar alcançará grande misericórdia na hora da sua morte. Os sacerdotes o recomendarão aos pecadores como a última tábua de salvação. Ainda que o pecador seja o mais endurecido, se recitar este Terço uma só vez, alcançará a graça da Minha infinita misericórdia” (Diário, 687).

“Pela recitação deste Terço agrada-Me dar tudo o que Me peçam. Quando os pecadores empedernidos o recitarem, encherei de paz as suas almas, e a hora da morte deles será feliz. Escreve isto para as almas atribuladas: Quando a alma vir e reconhecer a gravidade dos seus pecados, quando se abrir diante dos seus olhos todo o abismo da miséria em que mergulhou, que não se desespere, mas antes se lance com confiança nos braços da Minha misericórdia, como uma criança no abraço da sua querida mãe. Essas almas têm prioridade no Meu Coração compassivo, elas têm primazia à Minha misericórdia. Diz que nenhuma alma que tenha invocado a Minha misericórdia se decepcionou ou experimentou vexame. Tenho predileção especial pela alma que confiou na Minha bondade. “Escreve que, quando recitarem esse Terço junto aos agonizantes, Eu Me colocarei entre o Pai e a alma agonizante não como justo Juiz, mas como Salvador misericordioso” (Diário, 1541).

 “Defendo toda alma que recitar esse terço na hora da morte, como se fosse a Minha própria glória, ou quando outros o recitarem junto a um agonizante, eles conseguem a mesma indulgência. Quando recitam esse terço junto a um agonizante, aplaca-se a ira de Deus, a misericórdia insondável envolve a alma...” (Diário, 811).

Para ser rezado nas contas do terço. “No começo:
Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco; bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por n6s, pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.
Creio em Deus Pai, todo-poderoso, criador do Céu e da Terra; e em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor; que foi concebido pelo poder do Espirito Santo; nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia; subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, de onde há de vir a julgar os vivos e os mortos. Creio no Espirito Santo, na santa Igreja Católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne, na vida eterna. Amém.

Nas contas de Pai Nosso, dirás as seguintes palavras:
Eterno Pai, eu Vos ofereço o Corpo e o Sangue,
a Alma e a Divindade de Vosso diletíssimo Filho,
Nosso Senhor Jesus Cristo,
em expiação dos nossos pecados e dos do mundo inteiro.
Nas contas da Ave-Maria rezarás as seguintes palavras:
Pela Sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro.
No fim, rezarás três vezes estas palavras:
Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal,
tende piedade de nós e do mundo inteiro” (Diário, 476).



A HORA DA DIVINA MISERICÓRDIA

Em outubro de 1937, em Cracóvia (Polônia), Jesus Cristo recomendou que fosse honrada a hora da Sua morte e que ao menos por um instante de oração se recorresse ao valor e aos méritos da Sua paixão.

“...às três horas da tarde, implora à Minha misericórdia especialmente pelos pecadores e, ao menos por um breve tempo, reflete sobre a Minha Paixão, especialmente sobre o abandono em que Me encontrei no momento da agonia. Esta é a Hora de grande misericórdia para o Mundo inteiro. Permitirei que penetres na Minha tristeza mortal. Nessa hora nada negarei à alma que Me pedir pela Minha Paixão...” (Diário, 1320).

“...que todas as vezes que ouvires o bater do relógio, às três horas da tarde, deves mergulhar toda na Minha misericórdia, adorando-A e glorificando-A. Implora a onipotência dela em favor do Mundo inteiro e especialmente dos pobres pecadores, (...) Nessa hora, conseguirás tudo para ti e para os outros. Nessa hora, realizou-se a graça para todo o Mundo: a misericórdia venceu a justiça (...) procura rezar, nessa hora, a Via-sacra e, se não puderes fazer a Via-sacra, entra, ao menos por um momento, na capela e adora o Meu Coração, que está cheio de misericórdia no Santíssimo Sacramento. Se não puderes sequer ir à capela, recolhe-te em oração onde estiveres, ainda que seja por um breve momento. Exijo honra à Minha misericórdia de toda criatura” (Diário, 1572).

“A fonte da Minha misericórdia foi na cruz aberta com a lança para todas as almas,
− não excluí a ninguém” (Diário, 1182).



DIVULGANDO A DEVOÇÃO DA DIVINA MISERICÓRDIA
− ATOS DE MISERICÓRDIA

 “...faz o que está ao teu alcance pela divulgação do culto da Minha misericórdia. Eu completarei o que não conseguires. Diz à Humanidade sofredora que se aconchegue no Meu misericordioso Coração, e Eu a encherei de paz. (...) Quando uma alma se aproxima de Mim com confiança, encho-a com tantas graças, que ela não pode encerrá-las todas em si mesma e as irradia para as outras almas. As almas que divulgam o culto da Minha misericórdia, Eu as defendo por toda a vida como uma terna mãe defende seu filhinho...” (Diário, 1074-1075).

“Aos sacerdotes que proclamarem e glorificarem a Minha misericórdia darei um poder extraordinário, ungindo as suas palavras, e tocarei os corações daqueles a quem falarem” (Diário, 1521).

 “Deves mostrar-te misericordiosa com os outros, sempre e em qualquer lugar. Tu não podes te omitir, desculpar-te ou justificar-te. Eu te indico três maneiras de praticar a misericórdia para com o próximo: a primeira é a ação, a segunda a palavra e a terceira a oração. Nesses três graus repousa a plenitude da misericórdia, pois constituem uma prova irrefutável do amor por Mim. É deste modo que a alma glorifica e honra a Minha misericórdia” (Diário, 742).



NOVA CONGREGAÇÃO

Irmã Faustina procurava compreender o plano Divino da fundação de uma nova congregação.
Nessa intenção oferecia a Deus muitas orações e sofrimentos. Em junho de 1935, em Vilna
(Lituânia), anotou:

“Deus está exigindo que haja uma Congregação que proclame ao mundo a misericórdia de Deus e que a peça para o mundo” (Diário, 436).

“Incessantemente pedirão a misericórdia de Deus para si mesmas e para todo o mundo, e toda obra de caridade será decorrente do amor de Deus, do qual estão embebidas. Procurarão se familiarizar com esse grande atributo de Deus e viver com ele e esforçar-se para que outros o conheçam e confiem na bondade de Deus” (Diário, 664).

“Hoje vi o convento dessa nova Congregação. Amplas e grandes instalações. Eu visitava cada peça sucessivamente. Via que em toda a parte a providência de Deus havia fornecido o que era necessário (...). Durante a Santa Missa veio-me a luz e uma profunda compreensão de toda essa obra, e não deixou em minha alma qualquer sombra de dúvida. O Senhor deu-me a conhecer Sua vontade como que em três matizes, mas é uma só coisa.
O primeiro: Que as almas separadas do mundo arderão em sacrifício diante do Trono de Deus e pedirão misericórdia para o mundo inteiro... E pedirão a bênção para os sacerdotes e, por sua oração, prepararão o mundo para a última vinda de Cristo.
Segundo: A oração unida com o ato de misericórdia. Especialmente defenderão do mal as almas das crianças. A oração e as obras de misericórdia encerram em si tudo que essas almas devem fazer; na sua comunidade podem ser aceitas até as mais pobres e, no mundo egoísta, procurarão despertar o amor, a misericórdia de Jesus.
Terceiro: A oração e as obras de misericórdia não obrigatórias por voto, mas, pela sua realização, as pessoas podem participar de todos os méritos e privilégios da Comunidade. A este grupo podem pertencer todas as pessoas que vivem no mundo. O membro deste grupo deve praticar ao menos uma obra de misericórdia por dia, mas pode haver muitas, pois cada um, por mais pobre que seja, pode fazer isso. (...) existe uma tríplice forma de praticar a misericórdia: a palavra misericordiosa − pelo perdão e pelo consolo; em segundo lugar − onde não é possível pela palavra, oração − e isso também é misericórdia; em terceiro − obras de misericórdia. E, quando vier o último dia, seremos julgados segundo tais disposições e, de acordo com isso, receberemos a sentença eterna” (Diário, 1154-1158).




“Eis a tua ajuda visível na Terra.
Ele te ajudará a cumprir a Minha vontade na Terra” (Diário, 53).

“Pelos seus esforços uma nova luz brilhará
na Igreja de Deus para o consolo das almas” (Diário, 1390).

 

O BEATO PADRE MIGUEL SOPOCKO

Na missão da santa irmã Faustina, a providência Divina assinalou um papel especial ao seu confessor e diretor espiritual − o pe. Miguel Sopocko, durante a permanência da irmã Faustina em Vilna, Lituânia (1933-36), que foi para ela um auxiliar insubstituível no reconhecimento das vivências e das revelações interiores. Por recomendação sua ela escreveu um “Diário”, que era um documento de mística católica de valor excepcional. Nesse “Diário” apresenta-se também a figura singular do Miguel Sopocko, bem como a contribuição do seu trabalho para a realização das exigências de Jesus Cristo.


O beato pe. Miguel Sopocko

“É um sacerdote segundo o Meu Coração.
(...) Por ele agradou-Me divulgar a honra
à Minha misericórdia”(Diário, 1256).

“O pensamento dele está estreitamente unido com o Meu e,
portanto, fica tranquila quanto à Minha obra. Não permitirei
que ele se engane e nada faças sem a permissão dele!” (Diário, 1408).


A pintura da imagem de Jesus Misericordioso, a sua exposição para o culto público, a divulgação do terço da Divina Misericórdia, a tomada das providências iniciais pela instituição da Festa da Misericórdia e para a fundação de uma nova congregação religiosa − realizou-se em Vilna graças aos empenhos do pe. Miguel Sopocko. Desde aquela época, a obra comum, alcançada graças à oração e ao sofrimento de ambos, irradia-se pelo mundo inteiro.



“Ao considerar o trabalho e a dedicação do padre Dr. Sopocko nesta questão, eu admirava a sua paciência e humildade. Tudo isso custava muito, não apenas dificuldades e diversos dissabores, mas também muito dinheiro e, no entanto, o padre Dr. Sopocko fez todos os gastos. Noto que a providência Divina preparou-o para cumprir esta Obra da Misericórdia antes que eu pedisse isso a Deus. Oh! como são admiráveis os Vossos caminhos, ó meu Deus, e como são felizes as almas que seguem o chamado da graça de Deus” (Diário, 422).

“Ó meu Jesus, Vós vedes que grande gratidão tenho para com o padre Sopocko, que levou tão longe a Vossa obra. Essa alma tão humilde soube suportar todas as tempestades e não se abalou com as adversidades, mas respondeu fielmente ao chamado de Deus” (Diário, 1586).



“Quando conversava com o meu diretor espiritual, vi interiormente a sua alma em grande sofrimento, num tal martírio que só poucas almas o experimentam. Esse sofrimento provém dessa obra. Virá o tempo em que esta obra, que Deus tanto recomenda, será como que totalmente destruída e, depois disso, a ação de Deus se manifestará com grande força, que dará testemunho da verdade. Ela será um novo esplendor para a Igreja, ainda que há muito tempo nela já exista.
Que Deus é infinitamente misericordioso, ninguém o poderá negar; mas Ele deseja que todos saibam disso, antes que venha a segunda vez como Juiz; quer que primeiro as almas O conheçam como Rei da misericórdia.
Quando esse triunfo sobrevier, nós já estaremos na vida nova, na qual não há sofrimentos. Mas, antes disso, a alma dele será saciada de amargura à vista da ruína dos seus esforços. Contudo, essa destruição será apenas ilusória, visto que Deus não muda o que uma vez tenha decidido; mas, ainda que a destruição seja aparente, o sofrimento será bem real. Quando isso sucederá, não sei; quanto tempo vai durar, não sei” (Diário, 378).

 “Jesus, essa obra é Vossa; por que então procedeis com ele dessa maneira? Parece que lhe criais dificuldades e ao mesmo tempo exigis que a faça. Escreve que dia e noite o Meu olhar repousa sobre ele e, se permito essas contrariedades, é só para multiplicar os méritos dele. Não recompenso pelo bom êxito, mas pela paciência e pelo trabalho suportado por Minha causa” (Diário, 86).

“Haverá tantas palmas na sua coroa quantas almas se salvarem por essa obra” (Diário, 90).



“Deus permite, às vezes, em Seus insondáveis desígnios, que aqueles que empreenderam os maiores esforços em alguma obra, na maioria das vezes não gozem o fruto dessa obra aqui na Terra. Deus reserva-lhes toda a felicidade para a eternidade, mas, apesar de tudo, algumas vezes Deus lhes dá a conhecer quanto Lhe agradam os esforços deles; e esses momentos fortalecem as almas para novas lutas e provações. São essas almas que mais se assemelham ao Salvador, o qual, em Sua obra fundada aqui na Terra, só sentiu amarguras” (Diário, 1402).

 “Jesus deu-me a conhecer como tudo depende de Sua vontade, dando-me assim uma profunda tranquilidade quanto a toda essa obra. Ouve, Minha filha! Embora todas as obras que surgem da Minha vontade estejam sujeitas a grandes sofrimentos, reflete se alguma delas esteve sujeita a maiores dificuldades do que a obra diretamente Minha − a obra da Redenção. Não deves preocupar-te demais com as adversidades. O mundo não é tão forte como parece; sua força é estritamente limitada” (Diário, 1642-1643).



Após a morte de irmã Faustina, com a qual manteve contato até o final da vida dela, de forma coerente o pe. Sopocko procurou realizar as tarefas assinaladas nas revelações.

Trecho do “Diário” do pe. Sopocko:

“Existem verdades que são conhecidas e a respeito das quais com frequência se ouve falar e se fala, mas que não são compreendidas. Foi o que aconteceu comigo no que diz respeito à verdade da Divina misericórdia. Tantas vezes eu havia lembrado essa verdade nos sermões, refletido a respeito dela nos retiros e repetido nas orações da Igreja – especialmente nos salmos – mas eu não compreendia o seu significado nem penetrava o seu conteúdo mais profundo, o de ser o mais elevado atributo da atividade Divina exterior. Foi preciso que aparecesse uma simples religiosa, irma Faustina, da Congregação da Proteção de Nossa Senhora (das Madalenas), que, levada pela intuição, falou-me a respeito dessa verdade de forma sucinta, e com frequência repetia isso, estimulando-me a pesquisar, a estudar e a pensar com frequência a seu respeito.
 (...) No início eu não sabia bem do que se tratava. Eu ouvia, demonstrava descrença, refletia, pesquisava, buscava os conselhos de outras pessoas – e somente anos mais tarde compreendi a importância dessa obra, a grandeza desse ideal e me convenci da eficácia desse grande e vivificante culto, na realidade antigo, mas negligenciado e necessitado de renovação nos nossos tempos.
(...) A confiança na misericórdia Divina, a propagação desse culto da misericórdia entre os outros e a ilimitada dedicação a ele de todos os meus pensamentos, palavras e ações, sem sombra de busca de mim mesmo, será o princípio fundamental de toda a minha vida subsequente, com a ajuda dessa imensurável misericórdia”.



O padre Miguel Sopocko nasceu em Nowosady, nas proximidades de Vilna (atual Lituânia).
Nos anos 1910-1914 estudou teologia na Universidade de Vilna, e posteriormente em Varsóvia, onde concluiu também o Instituto Superior de Pedagogia. Depois de obter o grau de doutor em teologia moral em 1926, foi nomeado diretor espiritual no seminário de Vilna. Defendeu sua tese de docente em 1934. Trabalhou como professor de teologia moral na Faculdade de Teologia Stefan Batory em Vilna e no Seminário Maior de Bialystok (1928-1962). Nos anos 1918-1932 foi capelão do exército polonês em Varsóvia e em Vilna. (veja O beato pe. Miquel Sopocko - Biografia)

Nos trabalhos científicos que publicou, o padre Sopocko forneceu os fundamentos teológicos para as novas formas do culto da Divina misericórdia (veja Trechos do livro), que ele propagava com zelo, envolvendo-se na atividade evangelizadora e social. Foi confessor de diversas comunidades religiosas e leigas. Para a primeira comunidade de irmãs, que deu origem à nova congregação religiosa, escreveu cartas de formação. A seguir, para a organização da Congregação das Irmãs de Jesus Misericordioso fundada, redigiu as suas constituições − de acordo com os ideais e as propostas de irmã Faustina. Com base nos textos da religiosa, compunha orações à Divina misericórdia.



O Padre Miguel Sopocko até o fim da vida engajou-se com heroico zelo pastoral no aprofundamento e na difusão dos mistérios da Divina misericórdia. Faleceu em Bialystok no dia 15 de fevereiro de 1975, com fama de santidade, no dia iografia do pe. Migel Sopocko da memória de Santa Faustina, padroeira da irmã Faustina.
Casa na qual o pe. Sopocko passou o último período da sua vida e que atualmente pertence à Congregação das Irmãs de Jesus Misericordioso. Na residência do padre Sopocko foi instalada a sala da sua memória.



CASA DA CONGREGAÇÃO DAS IRMÃS DE JESUS MISERICORDIOSO
Casa onde passou seus últimos anos de vida o pe. Miguel Sopocko.


SALA DA MEMÓRIA



No dia 20 de setembro de 2008, por um decreto pontifício, Bento XVI conferiu ao padre Miguel Sopocko − fundadora da Congregação das Irmãs de Jesus Misericordioso − o título de beato.

 

 

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Direitos de autor protegidos: © edição do texto − Urszula Grzegorczyk
Consultoria − Irmã Maria Kalinowska, Congregação das Irmãs de Jesus Misericordioso
Cópia dos textos permitida exclusivamente com o fornecimento do nome completo da fonte de origem
© Tradução: Prof. Mariano Kawka, Mariana Biela